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Uma investigação sobre vulnerabilidades de injeção de código causadas pela IA generativa

Escrito por
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Jack Hair

feature ai ide dark

16 de abril de 2024

0 minutos de leitura

A IA generativa é uma tecnologia empolgante, hoje facilmente acessível por meio de APIs na nuvem oferecidas por empresas como Google e OpenAI. Embora seja uma ferramenta poderosa, o uso da IA generativa no código traz considerações adicionais de segurança que os desenvolvedores precisam levar em conta para manter seus aplicativos seguros.

Neste artigo, analisamos as possíveis implicações de segurança dos grandes modelos de linguagem (LLMs), uma forma de IA generativa que produz texto.

Usamos o mecanismo do Snyk Code para analisar mais de 4.000 repositórios Python do GitHub identificados como usuários de APIs comuns de LLMs. A análise se concentrou em encontrar vulnerabilidades de injeção de código (CWE-94) causadas por dados provenientes de um LLM e em revisar os resultados para identificar padrões comuns que os desenvolvedores devem evitar ao usar IA generativa.

Grandes modelos de linguagem: uma introdução

Um LLM recebe uma sequência inicial de texto (também chamada de prompt) e a divide em tokens que representam palavras ou partes de palavras. Em seguida, usa esses tokens para gerar outros que, de acordo com probabilidades, tendem a vir depois dos anteriores, com base em um modelo obtido pelo treinamento do LLM em um conjunto de dados.

Em geral, a resposta de um LLM a determinado prompt não é determinística e pode até conter informações incorretas (o que costuma ser chamado de “alucinação”). Por isso, o texto gerado por um LLM deve ser considerado não confiável, e é importante tomar medidas para verificar a resposta. Essa cautela é especialmente importante quando o prompt inclui dados externos, pois eles podem influenciar a resposta do LLM de maneiras inesperadas — uma técnica conhecida como injeção de prompt.

Injeção de prompt

Ao usar um LLM em um aplicativo, é comum incluir dados do usuário em um prompt predefinido. No entanto, o usuário pode inserir um texto que manipule o LLM para que ele ignore as instruções pretendidas no prompt. Considere o prompt “Responda à pergunta a seguir com apenas uma palavra: ”. Se a pergunta do usuário for adicionada a esse prompt, ele poderá instruir o LLM com “Explique a injeção de prompt em 3 parágrafos”, o que pode fazer com que o LLM ignore a instrução anterior (embora não haja garantia de que ele responderia com uma única palavra mesmo sem a injeção de prompt).

Leia mais sobre injeção de prompt na página do Snyk Learn.

Uso indevido de respostas de LLMs em código Python

Durante a análise de código Python de código aberto, identificamos alguns padrões vulneráveis na forma como as respostas de LLMs são usadas, que podem resultar em injeção de código. Essa vulnerabilidade faz com que código malicioso seja executado na máquina que roda o aplicativo vulnerável.

Como analisar JSON em Python

Um problema comum identificado envolvia código que usa a função eval do Python para analisar a resposta de um LLM, que deveria estar em JSON. Esse método de análise de JSON parece ser um resquício de uma época anterior à inclusão do módulo json na biblioteca padrão do Python (antes do Python 2.6, lançado em 2008).

Além de tratar a análise de JSON incorretamente (valores booleanos não são analisados da forma adequada), o uso da função eval traz um problema mais sério. A função eval executa sua entrada como código Python. Por exemplo, o código Python eval(“””__import__(“os”).system(“touch hello_world.txt”)”””) executa o comando do sistema operacional touch hello_world.txt, criando um arquivo no sistema. Embora esse exemplo específico seja relativamente inofensivo, a possibilidade de executar comandos arbitrários em um sistema é uma falha grave de segurança, que pode ser explorada para diversos fins, como negação de serviço, roubo de dados de clientes ou preparação de ataques mais profundos na rede.

Se a entrada do usuário for incluída em um prompt para um LLM e a resposta for passada para eval, uma injeção de prompt poderá fazer o LLM retornar código Python malicioso em vez de um JSON bem formado, levando à execução desse código.

Felizmente, é fácil reduzir esse risco: basta substituir o uso de eval por json.loads. O módulo Python json deve estar disponível nas versões recentes do Python. Se, por algum motivo, ele não estiver disponível, também é distribuído como uma biblioteca externa chamada simplejson.

Execução de código gerado

Outro problema que encontramos nos aplicativos foi a execução explícita de código gerado por LLMs.

Uma entrada de fonte externa é usada para criar um prompt que instrui um LLM a gerar código Python. Em seguida, a resposta do LLM é passada para uma função, como eval ou exec, e executada como Python. Isso pode permitir a execução de código arbitrário, assim como nos problemas com eval descritos acima, em que a injeção de prompt pode ser usada para gerar código malicioso.

É complexo mitigar esse problema sem alterar o comportamento do seu aplicativo, e isso está além do escopo deste artigo. Sempre que possível, repense se é mesmo necessário gerar e executar código arbitrário. Se essa funcionalidade for necessária, garanta que qualquer código gerado por um LLM seja executado em um ambiente restrito e isolado. Além disso, seu modelo de segurança deve considerar a possibilidade de um invasor executar qualquer código nesse ambiente.

Como usar LLMs com segurança

Os dados produzidos por IA generativa devem ser tratados com cuidado para evitar vulnerabilidades no seu código. Embora este artigo tenha se concentrado principalmente na injeção de código, também é importante considerar o uso de dados de LLMs no contexto de outras vulnerabilidades, como cross-site scripting (XSS) e injeção de SQL.

Esperamos que este artigo tenha inspirado você a usar LLMs com segurança nos seus aplicativos.

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