Preservando nossa cultura enquanto crescemos em ritmo acelerado
Dipti Salopek
3 de fevereiro de 2020
0 minutos de leituraNa Snyk, crescemos em um ritmo extraordinariamente acelerado, acompanhando as oportunidades de mercado que temos pela frente. Em 2019, dobramos de tamanho a cada seis meses. Para 2020, prevemos que o rápido crescimento continue. Um dos principais desafios em que todos pensamos é como preservar nossa cultura e coesão durante essa expansão acelerada.
Nossa cultura — unida, acolhedora e extremamente colaborativa — é, sem dúvida, um dos principais ingredientes do nosso sucesso. Ela foi o elo que nos manteve unidos e com os pés no chão durante um período de crescimento explosivo. Para citar algumas das mudanças do ano passado: lançamos um novo produto, adquirimos uma conferência, contratamos um novo CEO, dobramos o tamanho da empresa e anunciamos duas rodadas de captação de recursos!
Há muitas empresas com culturas extremamente positivas. O que torna a nossa tão especial é o quanto ela é próxima e familiar. É algo que eu, pessoalmente, nunca tinha vivido antes. Como equipe, os Snykers apoiam e se importam muito uns com os outros. À medida que continuamos crescendo, é inevitável que nossa cultura evolua com o tempo. Apesar da empolgação geral com o crescimento e a evolução, todos temos um medo profundo de perder algo da nossa cultura tão especial pelo caminho.
A equipe de liderança dedicou muito tempo a identificar exatamente quais qualidades compõem a essência da nossa cultura, para que possamos preservá-las enquanto o restante evolui. Chegamos a dois atributos fundamentais: a confiança que temos uns nos outros e a natureza da nossa colaboração.
Confiança
Os Snykers confiam plenamente uns nos outros. Apoiamos uns aos outros, comemoramos de verdade as conquistas dos colegas e estendemos a mão quando percebemos que alguém está passando por dificuldades. Ouço isso repetidamente de quem acaba de chegar: a Snyk tem um ambiente extremamente acolhedor e solidário. No entanto, isso só é possível, em grande parte, porque a empresa ainda tem um tamanho administrável. É justo dizer que, na Snyk, todo mundo conhece todo mundo. Mas, à medida que crescemos e somos levados a interagir mais com colegas que ainda não conhecemos tão bem, essa confiança espontânea fica bem mais difícil de manter. A Lei de Dunbar¹ sugere que, conforme continuamos a crescer, precisamos agir com atenção e intenção para investir na construção da confiança na empresa — isso já não acontecerá naturalmente, por acaso.
Um passo para construir confiança é manter um diálogo honesto. À medida que crescemos, inevitavelmente teremos de tomar muitas decisões difíceis e dar notícias difíceis. O diálogo honesto exige coragem para dar feedback sincero aos colegas e lidar com esses momentos delicados. Agir com honestidade é uma forma de cuidado e gentileza. Não é fácil, mas apostar ainda mais na honestidade com compaixão é nossa única chance de continuar fortalecendo o alto nível de confiança e proximidade que temos a sorte de compartilhar hoje. Estamos oferecendo treinamento aprofundado nessa área a todas as pessoas em cargos de liderança.
Colaboração
A outra característica singular da nossa cultura está na forma como colaboramos. Nossa colaboração — por meio de videoconferências, canais públicos do Slack e muitas viagens — conecta muitas pessoas entre si. Ela acontece tanto de forma assíncrona quanto instantânea, impulsionada em grande parte pela presença constante do Slack. No entanto, a maneira como colaborávamos pelos canais do Slack quando éramos apenas 100 pessoas parece estar chegando ao limite, conforme passamos da proverbial Tribo de Hoffman para a Vila². Acreditamos muito em preservar a transparência e a autonomia que vêm de manter a maior parte da comunicação em canais públicos, acessíveis a todos. Mas também percebemos que, à medida que crescemos, há cada vez mais “ruído” no sistema. Para preservar a transparência, precisamos reduzir esse ruído e mudar a forma como colaboramos, direcionando a comunicação a públicos relevantes.
Queremos preservar a transparência na empresa e reduzir o excesso de ruído com uma série de investimentos em ferramentas (otimizando a experiência do usuário no Slack e nas videoconferências), criação de processos (orientando sobre mudanças de comportamento no Slack) e eventos presenciais, desde encontros globais com toda a empresa até eventos frequentes de equipes e sobre temas específicos, que nos ajudarão a concentrar a comunicação e a colaboração nos públicos certos e relevantes.
À medida que crescemos, nossa cultura evoluirá naturalmente. Por mais que gostemos da cultura que temos hoje, reconhecemos e abraçamos essa evolução. Ainda assim, queremos preservar o que há de essencial nela: a confiança espontânea e nossa forma única de colaborar.
¹ A Lei de Dunbar é definida como o limite cognitivo para o número de relações sociais mais profundas que uma pessoa consegue manter ao longo do tempo — geralmente, cientistas sociais concordam que esse número é 150.
² O trabalho de Reid Hoffman sobre blitzscaling descreve como as empresas precisam operar de maneira diferente em cada estágio de desenvolvimento: Família (10 funcionários ou menos), Tribo (de 10 a 150 funcionários) e Vila (centenas de funcionários).



