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Construindo uma cultura de confiança digital

Escrito por
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Stephanie Dominy

18 de fevereiro de 2020

0 minutos de leitura

Nossa visão na Snyk é tornar o mundo digital um lugar mais seguro.

Como empresa que desenvolve soluções de segurança para desenvolvedores, queremos garantir que nossos clientes e stakeholders confiem na nossa capacidade de proteger e manter seguros seus dados e sua privacidade. Isso também é conhecido como “confiança digital” e está no centro da nossa proposta de valor e da experiência do usuário — além de representar um desafio constante.

Em uma época em que as pessoas estão cada vez mais atentas à privacidade e à segurança, como uma empresa pode demonstrar que é uma guardiã confiável dos segredos, mensagens, imagens, compras, planos de viagem e dados médicos de seus usuários — e de “cada momento de frustração ou fraqueza” (para parafrasear Tim Cook em seu discurso de formatura em Stanford, em 2019)?

Para ter sucesso e se destacar em um mundo marcado por “problemas de confiança”, as empresas precisam ir além de simplesmente cumprir uma lista de requisitos. As empresas que demonstram confiança digital conquistam vantagem competitiva, atraem mais investidores e inspiram maior confiança em seus funcionários e stakeholders.

Liderança e responsabilidade são frequentemente apontadas como pré-requisitos para promover comportamentos corporativos desejáveis. Sim, líderes sabem que, em caso de violação de segurança ou ataque de grandes proporções, serão responsabilizados. Por isso, equipes de compliance, segurança e TI ficam encarregadas de controlar esses riscos por meio de políticas rigorosas e do uso de sistemas e ferramentas. No entanto, falhas de segurança ou problemas de privacidade de dados costumam surgir nos estágios iniciais do ciclo de desenvolvimento de um produto ou em detalhes de um processo ou fluxo de trabalho da empresa. Cabe à equipe que está na linha de frente identificar os problemas e dar o alerta com antecedência suficiente para que seja possível corrigir o rumo. Além disso, nem sempre são um grande ataque ou uma falha no código que viram manchete em casos de vazamento de dados; às vezes, é um ato corriqueiro, mas descuidado, que gera consequências inesperadas e de grande alcance — ou seja, um erro humano. É seguro dizer que eliminar o erro humano é quase impossível. No entanto, mudar a maneira como as pessoas pensam pode reduzir esse risco ao lidar com dados pessoais sensíveis.

Como colocar a confiança digital em prática na sua empresa?

Você já ouviu expressões como “segurança em primeiro lugar”, “privacidade desde a concepção e por padrão” e “criar uma cultura de compliance contínuo”. Mas como colocar o compliance em prática? Como mudar comportamentos e incorporar essa mentalidade à nossa cultura? Como fazer com que todos na empresa realmente se importem?

Veja algumas das iniciativas que adotamos na Snyk para incorporar comportamentos e uma mentalidade de confiança digital:

  • Falamos sobre o assunto. E muito! Estas são algumas das principais mensagens que compartilhamos: nunca houve tanto em jogo. Nossos clientes esperam que ofereçamos confiança digital, e nosso sucesso depende de atender a essa expectativa. Segurança e privacidade são responsabilidade de todos, seja qual for a função. A equipe jurídica pode elaborar as políticas, e a equipe de segurança pode implementar as ferramentas, mas todos podem lidar com dados confidenciais e privados em seu trabalho. O treinamento básico é obrigatório para todos os funcionários, e há treinamentos adicionais para pessoas em funções específicas. Nas nossas comunicações, nos materiais de orientação e nas reuniões da empresa, usamos exemplos reais e casos de uso em que sinais de alerta foram identificados. Assim, preparamos as pessoas para reconhecer esses sinais e nunca baixar a guarda.

  • Comemoramos. Valorizamos e celebramos quem identifica um problema de segurança ou privacidade. Assim como comemoramos uma venda ou o lançamento de um produto, também reconhecemos no canal #appreciation do Slack quem demonstra atenção à privacidade — o que, às vezes, significa criar ou projetar um produto ou recurso de outra forma, ou até decidir NÃO desenvolver um recurso.

  • Liderança. Nosso CEO, Peter McKay, dá o exemplo e reforça a mensagem de “tornar o mundo digital um lugar mais seguro”. A cada trimestre, ele envia a todos os funcionários um informativo sobre segurança, ética e confiança, com dicas e lembretes sobre como assumir a responsabilidade pela segurança e pela privacidade dos dados.

  • Donuts! Ou rosquinhas! Se você deixar o laptop desbloqueado ao se afastar da mesa, um colega aproveita para enviar emojis de donuts do seu perfil do Slack para o escritório. A pessoa responsável pelo laptop desprotegido tem que comprar donuts (ou outros doces com bastante açúcar e carboidratos) para todo mundo. Este é apenas um exemplo de como incentivar bons hábitos de segurança sem parecer autoritário.

  • Embaixadores de privacidade. As equipes de segurança e os departamentos jurídico e de compliance não conseguem estar em todos os lugares nem ver tudo. Por isso, a empresa conta com embaixadores em cada equipe, que são parceiros de confiança com o contexto e a credibilidade necessários para conscientizar seus colegas e reforçar boas práticas. Treinamentos e conhecimentos adicionais sobre privacidade dão mais recursos a esses embaixadores e permitem que desenvolvam novas habilidades junto com suas atividades do dia a dia. Eles são uma extensão inestimável das equipes de segurança, jurídica e de compliance da empresa.

Mudar comportamentos nunca é fácil. Ninguém nunca disse que segurança e privacidade eram assuntos empolgantes. Algumas empresas adotam outras abordagens de incentivo e punição, como incluir o cumprimento das políticas nos objetivos dos funcionários ou aplicar medidas disciplinares a quem as viola. Essas medidas provavelmente têm seu lugar no conjunto de ações. No entanto, construir uma cultura de confiança digital exige conquistar as pessoas de verdade. As pessoas só se envolvem com segurança digital e privacidade de dados quando entendem o que isso representa para a empresa — e, por consequência, para elas. Com incentivo, comportamentos que no início parecem pouco naturais (como bloquear o laptop) se tornam hábitos. Uma preocupação constante com possíveis violações de segurança vai se instalando, e, aos poucos, as pessoas passam a ficar mais atentas às questões de confiança digital. O trabalho nunca termina, mas, quando as pessoas se importam de verdade com esse tema, damos passos importantes para construir, crescer e inovar com responsabilidade e segurança.