A força da diversidade
29 de julho de 2020
0 minutos de leituraComo CEO à frente de uma equipe internacional e diversa de profissionais, procuro reconhecer e aproveitar as habilidades e ideias incríveis da minha equipe global. Recentemente, a Comparably reconheceu a Snyk como #1 na lista da Comparably (SMB) das melhores empresas para equipes de liderança. Além disso, recebi outras duas distinções: fui eleito um dos 25 melhores CEOs para trabalhar, segundo profissionais negros, e um dos melhores CEOs para trabalhar, segundo funcionárias.
É uma honra que me deixa muito humilde liderar um grupo tão incrível de pessoas. Sei que o trabalho de verdade é feito pelos gestores e pelas equipes, que se dedicam todos os dias a criar um ambiente e uma cultura que incentivam conversas abertas, franqueza e oportunidades para celebrar nossa diversidade.
Desde o início da minha carreira, meu primeiro impulso nunca foi me cercar de pessoas que pensam como eu, mas sim de pessoas que pensam diferente.
Além da diversidade de pensamento, há também a diversidade geográfica na empresa. A Snyk tem hubs em Israel, Londres, Ottawa, Boston e na Califórnia. Sempre acreditamos em contratar as melhores pessoas onde quer que estejam. Com isso, temos diversidade de culturas, estilos de vida, religiões e origens.
Não foi mérito meu. Para mim, um prêmio para o CEO é, na verdade, um prêmio para a cultura da empresa, para a equipe executiva e para as pessoas ao redor dela. Não tomo todas as decisões na empresa. Elas são tomadas pelas pessoas que contratamos e por quem já faz parte da empresa — pessoas que querem esse tipo de ambiente. Elas querem diversidade. Querem pessoas de diferentes etnias, religiões e gêneros.
A Snyk sempre foi uma empresa muito aberta. Essa cultura já existia antes de eu assumir como CEO. Quando fazia parte do Conselho de Administração, eu a percebia. Ela está presente na cultura da empresa desde o início. Por acaso, eu era o CEO naquele momento, mas esse sempre foi um princípio fundamental para Guy Podjarny e os fundadores, desde os primeiros dias. Eles queriam reunir pessoas que desafiassem umas às outras e pensassem de forma diferente. Isso acontece de muitas maneiras.
Muitas vezes, associamos cultura a um lugar, grupo ou ambiente. Por causa da COVID, muitas empresas estão lidando pela primeira vez com a diversidade cultural em um ambiente de trabalho remoto. Mas a Snyk já trabalha com equipes remotas desde o início. Garantimos que vieses não se infiltrem e que as diferenças geográficas não criem silos, mas contribuam para uma cultura aberta.
Cultura é prioridade número 1
Acredito que essa é a principal responsabilidade de um CEO, porque cada pessoa contratada pode fortalecer ou prejudicar a cultura. À medida que novas pessoas chegam, a cultura evolui — ela não fica parada. Espero que cada contratação fortaleça e faça a cultura evoluir conforme a organização cresce e amadurece. O que funcionava quando a empresa era pequena precisa mudar, e a cultura também precisa evoluir. Essa é a prioridade número um.
O segundo ponto é a tendência de muitas organizações de contratar pessoas que já conhecem. Isso tem seu lado bom: você encontra pessoas talentosas, de quem gosta, em quem confia e com quem já trabalhou. Mas também acaba contratando apenas pessoas da sua rede, o que limita o universo de candidatos. É preciso ir além para aumentar a diversidade. Quando você busca pessoas em outras regiões, geralmente está saindo da sua rede. No setor de tecnologia, para ter diversidade, é preciso ir além da própria rede, porque, historicamente, a maioria das pessoas que já trabalha há algum tempo na área não vem de grupos muito diversos.
Isso está mudando — e rapidamente —, mas o setor ainda não tem um bom histórico em diversidade. Por isso, é essencial se concentrar no principal processo da empresa: a contratação. É preciso encontrar pessoas muito talentosas que também contribuam para a cultura da organização, tornando-a melhor, e saibam trabalhar bem com os outros para criar um lugar onde todos queiram estar. Para mim, essa é a responsabilidade mais importante que tenho na empresa.
Adotamos algumas medidas para garantir que o processo de contratação vá além da nossa rede tradicional: a rede dos gestores responsáveis pelas contratações e a da equipe executiva.
Contratamos excelentes recrutadores, que se conectam com organizações diversas, como grupos de mulheres na tecnologia e organizações de liderança negra, além de participar ativamente de eventos do Orgulho LGBTQIA+ e de redes formadas por pessoas comprometidas em promover a diversidade e ajudar a recrutar. É preciso fazer um esforço extra para acertar, mas todos aqui se dedicam a isso. Definimos metas bastante ambiciosas de diversidade e desafiamos a nós mesmos e à equipe a continuar avançando.
Uma das iniciativas que considero extremamente importante, por causa do impacto que teve em mim no início da carreira, é oferecer treinamento sobre vieses inconscientes a todos os gestores responsáveis pelas contratações e à equipe executiva.
Essa foi a iniciativa que, na minha opinião, realmente poderia mudar as coisas e fazer a diferença. Lembro da primeira vez que fiz esse treinamento sobre vieses inconscientes. Ele abriu meus olhos. Fazemos tantas coisas sem perceber, e fiquei muito incomodado com meu próprio comportamento. Pensei: "Nossa, não acredito que não percebi que algumas das coisas que eu fazia estavam erradas."
Você estava discriminando — fosse na forma de escrever descrições de vagas, na linguagem usada ou nas redes de recrutamento. Foi como acender a luz de uma sala e perceber que aquilo acontecia sem que você se desse conta.
Para fazer uma diferença de verdade, é preciso estar aberto a aprender. Se você estiver fazendo algo errado, precisa mudar, precisa corrigir o rumo.
As pessoas querem fazer o que é certo
No nosso caso, não são apenas os gestores responsáveis pelas contratações que participam: os gestores e os executivos, todos nós passamos por esse treinamento. Vou fazê-lo de novo, porque você identifica duas ou três coisas, mas provavelmente havia outras cinco ou seis que não percebeu, já que as primeiras eram muito importantes. É um trabalho contínuo. Você segue trabalhando nisso. Acho que, com o tempo, começa a fazer uma diferença maior.
Mas, no fim das contas, tudo depende das pessoas da organização, porque são elas que fazem a diferença. Temos um grupo de pessoas muito engajado, que quer diversidade, valoriza as diferenças e quer que as pessoas desafiem e questionem as coisas.
Adoro quando alguém me aborda com uma opinião diferente da minha. Nunca quero me cercar de pessoas que apenas concordam comigo. Quero pessoas que pensem de forma completamente diferente. Porque só assim chegamos às respostas certas.
Tenho 13 pessoas que se reportam diretamente a mim. Todas são diferentes e muito diversas, distribuídas por quatro ou cinco países. É isso que adoro no meu trabalho. Gosto muito da diversidade — das diferentes formas de pensar e resolver problemas.
Foi essa diversidade e abertura que permitiu que a equipe de liderança da Snyk fosse reconhecida como #1.


