Nosso privilégio é nossa responsabilidade
Dipti Salopek
5 de junho de 2020
0 minutos de leituraNos últimos dias, muitos de nós acompanhamos com tristeza, horror, indignação e solidariedade o vídeo de George Floyd, os protestos e os conflitos. Às vezes, é difícil encontrar as palavras e expressar exatamente o que pensamos. Mas, por mais desconfortável e difícil que pareça, chegou a hora de sair da plateia e fazer nossas vozes serem ouvidas.
Diante de uma injustiça sistêmica que atinge uma comunidade específica, precisamos ter coragem para denunciá-la de forma explícita.
Então, sim — vidas negras importam.
Não podemos falar de injustiça sistêmica sem abordar o privilégio sistêmico. Falamos muito sobre privilégio branco; além disso, o privilégio assume diferentes formas e dimensões. Tenho o privilégio de ter nascido em uma família de classe média, para a qual o ensino superior — ou os recursos para custeá-lo — nunca esteve fora de cogitação. Tenho o privilégio de ser originária da Índia, onde minha herança étnica não está sujeita a alguns dos preconceitos que outras pessoas enfrentam. À minha maneira, tenho privilégios. Cada um de nós, à sua maneira, tem privilégios.
E esse privilégio traz responsabilidades. A responsabilidade de reconhecer as desigualdades sistêmicas que ele gera. A responsabilidade de estender a mão a quem não nasceu com as mesmas oportunidades. A responsabilidade de erguer a voz e participar do diálogo.
Tenho orgulho de fazer parte de uma empresa que pode afirmar sem ambiguidades, como fez nosso CEO Peter McKay em uma comunicação aos funcionários, que “não há espaço para discriminação, desigualdade ou injustiça na Snyk. Nosso valor fundamental de Care Deeply significa que nos importamos igualmente com todas as pessoas”. Neste período turbulento, cabe a todas as lideranças transformar nossos valores e nossas melhores intenções em ações concretas que façam a diferença.
Como líder de uma empresa, veja o que você pode fazer como aliado:
Seja explícito sobre seu posicionamento em relação à igualdade e à inclusão. Mesmo que isso pareça óbvio, diga em voz alta — as pessoas precisam ouvir.
Deixe claro para seus funcionários que eles podem se manifestar com segurança caso suspeitem de discriminação ou preconceito.
Incentive e cultive diálogos francos entre seus funcionários sobre igualdade, preconceito e inclusão.
Capacite todos os entrevistadores e gestores de contratação para identificar e eliminar vieses inconscientes.
Assuma publicamente o compromisso de aumentar a diversidade entre as pessoas candidatas.
As lições dos atuais conflitos sociais vão muito além deste momento ou episódio e se aplicam a todos nós, no mundo todo. Temos o poder e a obrigação moral de lutar contra a injustiça sistêmica. Como indivíduos e empresas, cada um de nós tem um papel a cumprir. Se cada pequena empresa, como a Snyk, abrir seu próprio caminho, poderemos fortalecer esse impulso juntos e, coletivamente, transformar a mudança em realidade.


